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Marcia Frazão
Brasil
Amanhecer Esquálido
O dia amanhece no filtro de papel
Na claridade do óculos dentro da bolsa.
Acorda qual um camelo estrábico
Um querubim paralítico.
O dia amanhece logo depois da veneziana
Um pouco aquém do sujeito que observa
E além daquilo que é percebido.
Acorda como um risco no vazio
Criando espaços que não existem
Ou fingem existir por pura insistência.
O dia amanhece num sol maduro
Prestes a ser colhido
Espremido até o caldo.
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